A ALQUIMIA DOCE DE JULIANA PENTEADO EM PORTUGAL

Na palma da mão, a doçaria de Juliana Penteado

Coloridos, modernos, desenvolvidos a partir da tradição da doçaria portuguesa e transformados pelo conhecimento e criatividade da chef, os doces de Juliana são um encanto. Descobri a garota, escutei sua história e passei a sonhar com os sabores que ela cria, em receitas com óleos essenciais, pouco açúcar, um tantão de experiência e muito afeto. 

  Juliana Penteado na sua pastelaria em Lisboa

Na palma da mão, ela traz seus doces e na ponta da língua narra a jornada que percorreu até chegar à portinha na Calçada da Estrela, em Lisboa, perfumando o bairro e a cidade. Inaugurada em 2021, Juliana Penteado Pastry é a confeitaria-atelier e cozinha dessa paulistana cheia de títulos em uma bem-sucedida carreira na gestão e criação gastronômica — no Brasil, em Paris e em Londres, antes de chegar à Portugal. O conceito da pastelaria (como é chamada a confeitaria em português) é muito original: com “doces da semana” ela produz surpresas fresquinhas, com base na sazonalidade, e capricha no uso dos óleos essenciais e componentes inusitados. Um laboratório de gostosuras! Toda terça-feira são apresentados os quatro novos doces da semana, enquanto na prateleira são oferecidos biscoitos, salgados, granolas e outros doces de vida mais longa. Os 34 óleos específicos para uso culinário são calculados a conta-gotas — superpotentes, se dividem em sabores de especiarias, flores, frutas e ervas. Os seus favoritos são, no inverno, a tarte de tiramisu com amêndoa amarga, no verão, o choux de maracujá com flor de coentro.

Juliana construiu esse formato para seu próprio negócio com muito empenho e estudo, grande parte baseado em uma formidável pesquisa de campo que realizou viajando de carro sozinha pelo país, buscando conhecer história e costumes dos doces conventuais portugueses. A aventura se chamou Rota Amarela, durou 30 dias e percorreu mais de 4.000 km pelo país de Norte a Sul. Aí ela conheceu aquele Portugal da gema. “Pude ver e aprender a feitura de alguns dos doces portugueses, conhecer os segredos de família, as tradições e como são calculadas as receitas: com punhados, pitadas e colheradas” , ela conta. 

Os doces da Rota Amarela

Com 33 anos, graduada em Nutrição e em Gastronomia no Brasil e tendo cumprido a formação integral na Cordon Bleu de Londres (GB), Juliana constituiu um sólido currículo avalizado por importantes nomes e marcas da gastronomia. Iniciou estágio na Casa Fasano e lá alcançou o cargo de chef-executiva do catering do Grupo. Procurou novos desafios fora do país e em Paris conquistou um trabalho em um dos restaurantes da cidade, de onde saiu para morar em Lisboa e trabalhar no estrela Michelin 100 Maneiras. Aí cresceu essa curiosidade pela confeitaria, incontrolável quando se está em Portugal — para Ju, a confirmação de sua paixão desde criança.

  Três aninhos e parece que vai engolir o bolo sozinha...

Dos 12 anos até a faculdade, ela frequentou os cursos na cozinha da Helô, o atelier culinário que ensinou muita gente em São Paulo. Depois, foi somando aprendizados. Ela diz que o livro Juju na Cozinha do Carlota foi seu primeiro livro de receitas, ainda pequena... que alegria! 

Juliana agora se prepara para colocar uma cozinha de produção em Lisboa com a Gleba, uma rede de padarias com pães artesanais de fermentação natural espalhada pelo país.

Tudo isso que faz, ela chama de cozinha intuitiva: o doce é uma demonstração de afeto, uma recompensa merecida e está envolto na sensação de prazer. Na confeitaria, ela procura reproduzir esse conforto: “Aqui temos um pouco de casa da vó, carinhos de mãe”, explica. O uso dos óleos também é herança familiar, dos tempos em que a mãe massageava as filhas com óleos perfumados. Pedi uma receita e a bela já foi trazendo, na palma da mão, o choux de maçã verde au craquelin  e a promessa de, em julho, se tudo der certo, se apresentar no Estudio Carlota com seu sorriso e ensinamentos. 

@juliana_penteado

  Receita: choux au craquelin

Pate a choux – rende 12 unidades

  • 180ml leite integral 

  • 70ml água 

  • 100g manteiga sem sal 

  • 2g sal 

  • 5g açúcar 

  • 250g ovos 

  • 150g farinha de trigo 

Em uma panela, aqueça o leite, a água, a manteiga, o sal e o açúcar. Assim que todos os ingredientes estiverem bem misturados, e a manteiga derretida, adicione a farinha de trigo. Mexa constantemente até que se torne uma massa. Cozinhe levemente, por cerca de dois minutos ou até que o cheiro de farinha crua não seja notável. Espalhe a massa em um bowl, para resfriar levemente. 

Quando a massa estiver morna, volte a mistura para uma batedeira e adicione os ovos (um a um), até que esteja uma massa lisa e homogênea. Disponha em um saco de confeitar, e utilize apenas quando a massa estiver completamente fria. Pré aqueça o forno a 160 graus. 

Em uma assadeira untada, pingue círculos da massa choux de aproximadamente 5cm de diâmetro. 

Disponha o círculo de craquelin por cima e leve a assadeira ao forno. 

Asse por aproximadamente 35 minutos, ou até que a sua massa esteja levemente dourada. 

Craquelin 

  • 40g manteiga sem sal 

  • 50g farinha de trigo 

  • 50g açúcar demerara 

Misture todos os ingredientes em um bowl até que se forme uma massa homogênea. Abra entre duas folhas de papel manteiga com um auxílio de um rolo. A espessura deve ser bem fina, aproximadamente 0.3 mm. Corte em círculos de 5cm de diâmetro. Mantenha no congelador para que o craquelin esteja bem gelado na hora de utilizar. 


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