Estrela dourada: pandoro é o bolo cool das festas

Em formato de estrela com oito pontas, o pão de ouro é bonito, leve e uma atração nas mesas festivas. Uma charmosa receita italiana!

Pandoro cheio de charme nas mesas das festas

De vez em quando eu paro em frente a alguma vitrine de doces e fico imaginando o sabor das coisas que (ainda) não conheço. Stalkeando mesmo: nas calçadas de Higienópolis, nas confeitarias de rua, de malls, nos vidros bisotados parisienses, entre os letterings exagerados dos doceiros em New York... Sempre tem novidade! Uma deliciosa está saindo da caixa e conto aqui.

Colomba na Páscoa, panetone no Natal, bolo de reis em janeiro, chocotone a qualquer hora... o público vai provando e absorvendo histórias para os alimentos e receitas e o mercado coloca na prateleira uma novidade a cada temporada — até que elas se tornem parte dos costumes e da vida cotidiana. Agora é a vez do pandoro, ou pão de ouro. Um bolo em formato de estrela, feito com ovos e manteiga, fofo e dourado, com uma nevezinha de açúcar por cima — um charme delicioso! Leve, de fermentação natural, ele conquista com esse visual e um aroma próprio, a partir de um blend de essências cítricas, que lhe dá sabor de laranjinhas.

O pandoro garante ser uma presença de destaque nas festas que encerram o ano, daqui para a frente. Pela originalidade do sabor e o plus de provocar o espírito da beleza nas mesas de Natal. O bolo pode ser decorado com detalhes: sejam simples enfeites, bolas de Natal, papais e mamães noéis; sejam comestíveis, como cerejas ou chocolate, doce de leite; ou obras mais elaboradas, contando uma história familiar, por exemplo. Personagens em papel ou açúcar, lugares, representação de cenas... essa brincadeira promete!

Pandoro decorado com neve, árvores e predinhos

Como acontece com muitas receitas clássicas, o pandoro também tem sua própria história. É sabido que surgiu em Verona, no século XIII, durante o domínio da família real Della Scala no feudo local. Na época, o bolo era chamado de "nadalin" e diz-se que foi feito em forma de estrela para celebrar o primeiro Natal da nobre família na cidade. No século 19, o empresário Domenico Melegatti patenteou o pandoro, acrescentando ovos, manteiga e fermento à receita original, e dando início à produção industrial que permitiu que o doce natalino então ganhasse a Itália e o mundo.

Parece a história do panetone, não é? Só que não. A lenda do clássico pão das festas natalinas tem origem em Milão. No final do século 15, um certo padeiro-confeiteiro “Toni” errou a receita do pão para o Natal e misturou ingredientes que tinha disponíveis para fazer um novo doce. Nasceu o “pan di Toni”, inicialmente feito sem fermento e sem manteiga. A receita foi modificada aos poucos até chegar aos anos 1920, quando um célebre confeiteiro e empresário milanês inventou o panetone alto que hoje consumimos. Na verdade, conta-se que na Itália há uma certa rivalidade entre os doces na mesa de Natal: veroneses têm o pandoro, milaneses, o panetone. Famílias grandes (e sábias) oferecem os dois. Sugiro o mesmo, como nossa alma tropical afetiva costuma ditar aos nossos corações. Entre as minhas andanças para provar novos sabores, encontrei o Pandoro Maestra da La Pastina e a mamma Carlota aqui provou — e aprovou — a gostosura antes do Papai Noel! Faça sua decoração ou simplesmente leve o doce com sua beleza natural e aromas para a mesa da festa, um sucesso!


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